domingo, 9 de dezembro de 2007

Espetáculo "Lemuria"


Desde 2000 que venho pesquisando sobre a origem do universo em diferentes culturas do mundo e somente agora; no final de 2007 que finalmente consegui traduzir para a Arte Teatral alguns caminhos que determinados povos e culturas nos revelam. Morando em Salvador e com muita influência dos povos de origem nigeriana, eu iniciei uma longa caminha para tratar o assunto sobre esta origem nos contos yorubás. A partir de algumas referencias bibliográficas temos o Espetáculo Lemúria, que estreou no dia 02 de finados (2007), na praia da Barra (mais especificamente no Farol da Barra) e posteriormente invadindo as salas de teatro de Salvador. Esta é a primeira parte do Espetáculo que inicia trazendo a misteriosa cabaça que divide Ayiê (Terra) de Orun (Céu).

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Origem do sânscrito


Para os teósofos, os lemurianos foram hermafroditas e até a metade de seu ciclo de existência, seus descendentes começaram a nascer heterosexuais. Este episódio é compreendido pelos ocultistas como a verdadeira queda do ser humano na matéria.
Segundo os brahmanes, essa região havia alcançado um alto grau de civilização e a península do Industão, acrescida pelo deslocamento das águas na ocasião do grande cataclisma, não fez mais que continuar a cadeia das primitivas tradições originadas no mesmo continente. Essas tradições dão o nome de Rutas aos povos que habitavam o imenso continente equinocial; e de sua linguagem é que derivou o sânscrito.

Continente perdido


Lemúria é o nome de um continente perdido, que pereceu 700.000 anos antes do começo da chamada era Terciária (período Eoceno), também chamada continente MU. O cataclisma que destruiu o enorme continente, do qual é a Austrália o principal remanescente, foi ocasionado por uma série de convulsões subterrâneas e pela violenta ruptura de solo no fundo dos oceanos. Muitos partilham da crença comum de que o continente existiu na pré-história mas afundou no oceano. Este continente é citado no prefácio do Livro da Epopéia de Gilgamesh, a narrativa mais antiga da História Ocidental. O livro foi escrito há 5500 anos pelos sumérios, que faz referências ao Grande Dilúvio de 10 mil anos atrás, ao final da última Era do Gelo em todo o planeta. Dizem as lendas que os sumérios foram os últimos descendentes do legado lemuriano.

Mostra Final


Nesta Mostra Final do Encontro de Jovens Talentos com o título “Lemuria”, se interpola basicamente em três vertentes: O ROTEIRO, conduzido pela dramática do rei Ghezo do Daomé - África; a ESTÉTICA, ou a plástica corporal e vocal da dança contemporânea do butoh e na INTERPRETAÇÃO dos corpos dos jovens nos espaços (interno e externo) interagindo com técnicas e principios filosoficos, artisticos e culturais de matrizes de representações dramáticas do universo cultural do oriente. Em “Lemuria” o público poderá apreciar o resultado das experiências destes jovens e talentosos artistas.

Lemuria o continente MU


No dia 02 de novembro de 2007, dia de finados no calendário brasileiro, estavam os interpretes do Espetáculo Lemuria realizando uma de suas intervenções em espaços alternativos da cidade de Salvador.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

MU


Está ali. Veja você mesmo: a pomba negra e o lemuriano... andando juntos. Andando nas antigas rochas da praia da Barra. Viva são as ondas que percorrem esses dois corações.
Viva MU!!!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A DANÇA BUTOH

A dança butoh nasceu durante o periodo do pós-guerra , em 1959 , a partir de performance Kinjiki , interpretada por Yoshito Ohno , filho de Kazuo Ohno. Na época , o butoh escandalizou o público , pois a peça apresentada fazia alusão à zoofilia (sexo entre homem e animal).

Para muitos , entretanto o butoh não é uma dança , mas uma encenação teatral. Mas , ninguém nega o caráter provocativo , violento e misterioso dessa forma de arte. Traduzindo-se o termo butoh , bu significa dança e toh quer dizer passo. Literalmente , dança compassada. A princípio, a dança foi chamada de Ankoku Butoh , expressão introduzida pelo dançarino Tatsumi Hijikata , e depois abreaviada para butoh , como é conhecida até hoje.

O butoh mistura elementos do teatro tradicional japonês e da mímica. Com o passar do tempo , ficou conhecido como Dança da Escuridão , mas a melhor maneira de descrevê-la é dizer que o butoh quebra as regras pré-estabelecidas da dança tradicional e que nele há uma grande possibilidade para a improvisação. No butoh , os corpos são pintados de branco , os movimentos são lentos e a postura é contorcida. O butoh mescla imagens que vão da decadência , medo e desespero ao erotismo , êxtase e tranquilidade.

A dança também possui influências da Europa já que nos anos 20 muitos dançarinos japoneses viajaram para a Alemanha para pesquisar a dança européia. Depois que retornaram para o Japão , eles fundaram escolas de balé , em que Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata deram as primeiras lições.

Os fundadores do butoh encontraram-se pela primeira vez em 1954 e trabalharam juntos durante vários anos , sendo que Tatsumi Hijikata dirigia a interpretava as várias coreografias de Ohno. O estúdio de Hijikata passou , então , a ser conhecido como o centro do movimento butoh.

Assim , o butoh conecta consciência com incosnciente. O movimento não é ditado pelo que está fora , mas aparece na interação entre exterior e interior do mundo. A essência do butoh baseia-se no mecanismo em que os dançarinos deixam de ser eles mesmos e tornam-se outra pessoa ou coisa. Está é uma concepção diferente da dança convencional em que o corpo do dançarino expressa uma emoção ou idéia abstrata. No butoh , começa-se pela imitação , mas a imitação não é a meta final.

Nessa arte o importante não é a transformação em alguma coisa , mas a transformação em si mesma , o fato de mudar-se. Somente assim pode-se trazer o corpo de volta para seu estado original.

Por Juliana Parlato

sábado, 14 de julho de 2007

Um corpo que boia


"(...) Um corpo morto, boiando no mar indo ao sabor das ondas, de lá para cá, deixando-se levar não pelos seus anseios individuais, mas pelos desejos de uma vida real (...)". Andre Mustafá

sexta-feira, 13 de julho de 2007

INSTANTES de Jorge Luiz Borges

Foto: Mario Cravo Neto, com o titulo: "SACRIFICE" 1989

“Se eu pudesse viver novamente minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a serio. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que só tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso e' feito a vida, só de momentos, não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim ate o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo. Pena que só chegamos a esta conclusão no final de nossas vidas”.
Jorge Luiz Borges era argentino e morreu na Suíça
em 1987 de câncer é considerado um dos maiores escritores desse século.

domingo, 8 de julho de 2007



"(...)Surge a face do homem escondida pelo tranqüilizador e emoliente conceito de sapiens. É um ser duma afetividade intensa e instável, que sorri, ri, chora, um ser ansioso e angustiado, um ser gozador, ébrio, extático, violento, furioso, amante, um ser invadido pelo imaginário, um ser que conhece a morte, mas que não pode acreditar nela, um ser que segrega o mito e a magia, um ser possuído pelos espíritos e pelos deuses, um ser que se alimenta de ilusões e de quimeras, um ser subjetivo cujas relações com o mundo objetivo são sempre incertas, um ser sujeito ao erro e à vagabundagem, um ser úbrico que produz desordem. E, como nós chamamos loucura à conjunção de ilusão, do excesso, da instabilidade, da incerteza entre real e imaginário, da confusão entre subjetivo e objetivo, do erro, da desordem, somos obrigados a ver o Homo sapiens como Homo demens".O Paradigma Perdido: A natureza Humana de Edgar Morin
... com a fuligem do ferro...
... a presença do aço...
...os aros de magnésio
...os anzóis de titânio, não me deixam cair.
Fico teso no portal,
olhando nas pontas das unhas o buraco negro.
Se eu tropeçar, meu Anjo de Ferro, aperta o meu coração e
me esfola com seu abraço carinhoso.
(...)
Me faz retornar o posto de trabalho. Sempre!
Quem sabe o cão olhe por entre as frestas da porta...da porta que está de baixo dos pés. A porta é o segredo, onde calça e sustenta o mundo. Onde firma nossas cabeças... onde as mesmas rolam... de onde tudo volta. É lá onde o cão esconde o osso.Onde Druva mora e seu olho não se fecha... onde nunca lacrimeja. Um olho que come cabeças. Olho que tudo vê sem respirar... Druva a minimalista incansável onde o atonal se expressam de forma clara e ruidosa. Então que firam os ouvidos!!!! Clama Druva de seu olho.
Graduado pela Universidade Federal da Bahia UFBA, Escola de Teatro, no curso de Bacharelado em Direção Teatral. Idealizou o cenário do show “Ma Shi Oh”, da Banda Crack dentro do Projeto “Canta Nordeste”, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves - TCA. Gravou o curta metragem “Amor em Dois Tempos”, com participação especial de Vera Holts e Guilherme Leme. Na UFBA foi selecionado para o Projeto Integrado de Pesquisa PIP do CNPq, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas PPGAC. Fez a direção artística de diversos espetáculos entre eles: “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, “As Três Águas” contos afro-brasileiros, e “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupeury. Desenvolveu espetáculos no Núcleo de Estudos do Teatro Popular NETPOP/UFBA e atualmente trabalha na coordenação técnica do Espetáculo Cuida Bem de Mim no LICEU.